CENAS BRASILEIRAS IV (final)
Nossas cenas poderiam ser vistas em qualquer parte do mundo, porque são produzidas por seres humanos. À parte questões culturais, sociais ou econômicas, vizinho chato tem na Coréia, preço alto tem na Rússia, corrupção tem na Grécia, violência tem nos Estados Unidos, desastres naturais são vistos na Indonésia e no Chile...
Tirando a questão Mãe Natureza enraivecida (ainda somos abençoados apenas com secas ou enchentes...), tudo isso tem no Brasil!
Nosso cotidiano não é muito diferente do resto do mundo: para ganhar dinheiro precisamos trabalhar, para ganhar dinheiro fácil precisamos roubar, para sermos justos precisamos de paz de espírito, para sermos espertos precisamos acabar com a paz de espírito dos outros...
As cenas brasileiras são apenas um olhar meio resignado, meio indignado sobre a nossa própria vida, de pessoas que convivem com as outras, que vão vivendo em sociedade...uma sociedade desigual, com interesses díspares, composta de forma meio maniqueísta - porém, não menos verdadeira - de seres, coisas e situações cotidianas boas e más.
E, vamos vivendo numa eterna balança, tentando contrabalançar as coisas ruins criando coisas boas, tentando andar para frente quando ficam nos puxando para trás, ir sorrindo mesmo que na alma passe apenas dor, ressentimento e raiva. O mais compensador disso tudo é quando você levanta a cabeça, depois de um tempo submersa em águas tenebrosas, nem sempre colocada por vontade própria, os outros te olham meio surpresos, meio assustados, pensando de onde saiu esse ar de vitória?
Esse ar de vitória sai sempre das cabeças que não se submetem, que não aceitam ser cordeiros, nem vaquinhas de presépio, que não esquecem seu passado ou sua vida pregressa (cheia de erros e desencantos, mas é sua vida...); uma cabeça que dorme tranquila no travesseiro e acorda todos os dias sabendo que não será fácil, mas levanta e encara sem medo.
Felicidade, amor, compaixão, remorso ou perdão são sentimentos etéreos, mudam e acontecem conforme sua idade e experiência. Ficar procurando-os, tentando entendê-los, ou absorvê-los para aumentar o prazer ou diminuir a dor, são apenas tentativas de viver...sem elas de que vale a vida?
Porém, não se vive sozinho(a)... e somos obrigados a conviver com pessoas e realidades desagradáveis...mas o bom da vida é isso, depois de uma certa idade, se você tiver coragem (ou dinheiro suficiente), essas coisas e pessoas ruins você pode mandar se fuderem...sem dó, nem piedade!
Sempre me disseram que viver não era fácil...mas, hoje sei, não é tão difícil!
Ao redor do mundo existe alguém (ou mais) que vive e tem a mesma sensação que a gente...Nesse nosso cotidiano global a vida se tornou muito parecida....
