21 de out de 2010

NAIR LACERDA


(imagem)

CANSAÇO E MEDO

NÃO SEI COMO UM VÍRUS PROVOCADOR DE SUPERAGITAÇÃO VEIO A ESPALHAR-SE NO AR QUE RESPIRAMOS. O QUE SEI É QUE A VIDA ANDA ENGRAÇADA: NINGUÉM TEM TEMPO PARA NADA, NINGUÉM TEM TEMPO PARA NINGUÉM. O PRÓPRIO LAZER É EMPREGADO EM VERDADEIRAS LUTAS CORPO-A-CORPO COM O TEMPO, TANTO CRONOLÓGICO QUANTO METEOROLÓGICO. NAS ATIVIDADES COTIDIANAS, O MÍNIMO QUE A MAIS PACATA DAS MÃES DE FAMÍLIA TEM A FAZER É TODO  SERVIÇO DE SUA CASA, AS COMPRAS RESPECTIVAS, E MAIS O ACOMPANHAMENTO DAS CRIANÇAS – IDAS E VOLTAS – AO COLÉGIO. HÁ JOVENS QUE TÊM MARIDOS, FILHOS, E, ÀS VEZES, ALGUM MEMBRO INVÁLIDO DA FAMÍLIA EM SUA CASA, JÁ EXERCEM UMA PROFISSÃO, E AINDA FAZEM, À NOITE, CURSOS UNIVERSITÁRIO, NO DESESPERO DE OBTER MELHOR SITUAÇÃO ECONÔMICA. MARIDOS HÁ QUE SAEM DE CASA, PELA MANHÃ, QUANDO OS FILHOS AINDA DORMEM, E REGRESSAM QUANDO OS FILHOS JÁ ESTÃO DORMINDO. NÃO HÁ TEMPO PARA A FAMÍLIA, NÃO HÁ TEMPO PARA OS AMIGOS, NÃO HÁ TEMPO PARA PARAAR, PARA REFLETIR, PARA MEDITAR, PARA VIVER, EMFIM. OBSERVAR OS SUBÚRBIOS SUPERLOTADOS DAS CIDADES INDUSTRIAIS, AS FILAS INTERMINÁVEIS NOS PONTOS DE ÔNIBUS, VER CANSAÇO A ESCORRER DOS ROSTOS, EXAUSTÃO A CURVAR OMBROS, FADIGA A PROVOCAR IRRITAÇÃO, É VER TODA A LEGIÃO DE CRIATURAS TANGIDAS PARA A NEUROSE, SAINDO DE CASAS CONFORTÁVEL, TRABALHANDO – QUASE SEMPRE – EM AMBIENTE DESCONFORTÁVEL, ACRESCENTANDO AS HORAS DE DISTÂNCIA DE SUAS MORADIAS ÀS HORAS DE TRABALHO. ISSO PARA OS QUE COMPRAM, COM ESSA LUTA DIÁRIA, SALÁRIOS MESQUINHOS, E QUE AINDA TÊM A PERMANENTE ANGÚSTIA DO POSSÍVEL DESEMPREGO, PRINCIPALMENTE PARA OS QUE ATINGIRAM A AGORA AVANÇADA IDADE DE 40 ANOS, A ACOMPANHAR-LHE O ROTEIRO PENOSO. JOVENS QUE ESTUDAM E QUE SE LOCOMOVEM DIARIAMENTE DE UMA CIDADE PARA A OUTRA – HAVENDO, PORÉM, QUEM O FAÇA APENAS NOS FINS – DE – SEMANA O QUE É UM ENGRAÇADO PRIVILÉGIO – COMEÇAM A DESGASTAR OS NERVOS DESDE A PRESSÃO DOS VESTIBULARES, PRESSÃO AGRAVADA PELA DISPARIDADE ENTRE O NÚMERO DE CANDIDATOS E O MONTANTE DAS VAGAS. ESSA É UMA SITUAÇÃO QUE VEM A CRIAR VERDADEIRAS TRAGÉDIAS, EM CERTOS CASOS, COM TODA A FAMÍLIA EM ESTADO DE TENSÃO NERVOSA, ATÉ QUE SE DECIDA A SORTE DO VESTIBULANDO, JÁ QUE O FRACASSO REPRESENTARIA PREJUÍZO DE DINHEIRO – QUANTAS VEZES PENOSAMENTE REUNIDO – E DE TEMPO, O QUE RETARDARIA A OPORTUNIDADE DE PROFISSIONALIZAÇÃO DO JOVEM. PROFESSORES DE CURSO MÉDIO DE AMBOS OS CICLOS, PERCORREM, AFLITOS, A VIA-SACRA DOS GINÁSIOS E COLÉGIOS, TOTALIZANDO O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE HORAS SEMANAIS, A FIM DE FAZER UM SALÁRIO MAIS DECENTE – O QUE, ALÍAS, NÃO CHEGAM A CONSEGUIR, DADO QUE AS PROFISSÕES DEPENDENTES DE CONHECIMENTOS LIVRESCOS JAMAIS DERAM SALÁRIOS DECENTES A ALGUÉM. DAÍ O CORRE – CORRE, DAÍ O CANSAÇO. O MESMO CORRE – CORRE E O MESMO CANSAÇO DE TANTOS OUTROS, QUE SE ATIRAM A DOIS, TRÊS E ATÉ MAIS EMPREGOS, COM A MESMA FINALIDADE, NEM SEMPRE REALIZADA. CANSAÇO: A GRANDE DOENÇA DA ÉPOCA. CANSAÇO QUE TRAZ NEUROSE. POR ISSO TODA A GENTE ANDA NEURÓTICA, IMPACIENTE, IRRITADA. ATÉ MESMO AS DAMAS QUE BRILHAM NAS COLUNAS SOCIAIS, POIS DÁ IMENSO TRABALHO MANTER O STATUS ADQUIRIDO. VIVEMOS DE CANSAÇO E MEDO. MEDO DE SER DESPEDIDO, MEDO DE NÃO TER MAIS TRABALHO, MEDO DE SER ASSALTADO, MEDO DE PERDER A IMPORTÂNCIA PROFISSIONAL, MEDO DE FRACASSAR ECONÔMICAMENTE E SOCIALMENTE, MEDO DE TUDO E DE TODOS. MEDO DESTA SELVA EM QUE O MUNDO SE ESTÁ TORNANDO, ESTE MUNDO ONDE SEMPRE HOUVE INJUSTIÇAS, GUERRAS, FOMES, REVOLTA, MAS ONDE TUDO ISSO ESTÁ ALCANÇANDO UM RITMO CADA VEZ MAIS ASSUSTADOR. POR TODA A PARTE A VIOLÊNCIA. TÔDAS AS GRANDES POTÊNCIAS PREPARADAS PARA O DIA DA VIOLÊNCIA. TODOS OS GRUPOS HUMANOS MENOS FORTES, NA EXPECTATIVA DESSE DIA. DESDE JÁ, NAS RUAS, A TODAS AS HORAS, EM TODOS OS LUGARES, A BRUTALIDADE DO ASSALTO, DO LATROCÍNIO, DA VIOLÊNCIA, ENFIM. DESSA TRISTE VIOLÊNCIA QUE É A TÔNICA DA NOSSA ÉPOCAM INFELIZMENTE.
Crônica de Nair Lacerda, publicada pela Tribuna de Santos em 30 de janeiro de 1972,




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